Domingo, Agosto 01, 2004

Recuerdos do Fórum

Pois é! Então aconteceu o III Fórum Mundial de Educação, aqui em Porto City!
Nem preciso dizer que foi tri (afinal, era o terceiro), mas vale a pena falar: foi tri!!! Ver o Gigantinho lotado de pessoas (vinte mil?) de diversos países, discutindo juntas sobre a "chave-mestra" do mundo, a educação, é de tirar o fôlego! Não quero, porém, comentar aqui as palestras (algumas excelentes, outras, quase), mas me ater ao assunto deste blog: o Ensino Religioso. Pois bem: debaixo de toda aquela chuva da sexta-feira, lá estávamos nós, da AEC-RS, no prédio 41 da PUCRS, bravamente empunhando nossos três pôsteres, sobre Religiosidade e Educação, Religiosidade Popular e um outro com um pequeno texto do Boff sobre a dimensão do Sagrado. E ali, ao nosso lado, o pessoal do FONAPER! É claro que o papo rolou solto, e-mails foram trocados e planos foram feitos (aguardem!).
Além disso, em que outro lugar poderia se encontrar um gigante como o Padre Eli Benincá circulando e debatendo com as pessoas que por ali passavam? Teve uma hora em que se formou uma rodinha onde se encontravam o Pe. Eli, o Frei Luciano Bruxel, o pessoal da coordenação do FONAPER e da AEC-RS e mais um cara da USP. Falando sobre o quê? Elaborando os princípios que seriam sugeridos mais tarde na plenária! Quase vi aquele céu nublado se abrindo sobre eles!
Depois de tudo, fomos para o prédio 50, onde o grupo de expositores se reuniu para ouvir o testemunho do Pe. Eli. Para resumir toda aquela beleza que ele falou, fica uma pergunta (deixada por ele mesmo): qual é o teu núcleo de religiosidade? Segundo o Pe. Eli, este é o núcleo central da vida de qualquer pessoa: é o mais resistente e raramente é desfeito. O que saiu da reflexão, com certeza, garantirá um lugar de destaque para a religiosidade sempre que a educação for colocada em debate, afinal, segundo o que concluímos, a religiosidade é que dá um sentido de "ser-no-mundo" para as pessoas.

Força sempre!

Domingo, Julho 25, 2004

Fórum Mundial de Educação

Acontece nesta semana, aqui em Porto Alegre, a nova edição do Fórum Mundial de Educação. A partir de quarta-feira (28/07), pessoas do mundo inteiro estarão aqui na cidade para refletir sobre o papel da educação no mundo em que vivemos. Escrevo isto pela importância do evento e também porque estarei diretamente envolvido em uma atividade específica, que ocorrerá no dia 30 de julho, à tarde: no prédio 41 da PUCRS serão expostos diversos pôsteres levantando temáticas relevantes sobre a questão da educação. Eu estarei junto aos pôsteres da AEC-RS, que tratam de Religiosidade Popular e Religiosidade e Educação (comigo estarão os professores Zé Guilherme e Carlos Barcellos). Nossa função será a de dialogar com os participantes que se interessarem pela temática e se aproximarem para dar uma "olhada" no trabalho. No final da tarde, a atividade será concluída com diversas palestras sobre as temáticas, na própria PUCRS. No nosso caso, o brilhante Padre Eli Benincá, fará uma síntese sobre a questão da religiosidade na educação.

Força sempre!

Finalmente, consegui postar uma figura!


This is me! Posted by Hello

Segunda-feira, Julho 19, 2004

A Ética faz a Diferença

Li na Zero Hora de ontem um texto muito legal sobre o desafio da ética em um meio social tão relativizado. O mais legal, porém, não é o texto em si, mas seu autor: Irmão Firmino Biazus, religioso Marista, diretor do Colégio Marista Rosário, uma das mais conceituadas instituições de ensino daqui de Porto Alegre. Explico: é que o Ir. Firmino, que escreveu este texto, é o mesmo que, lá no final dos anos oitenta, agüentava minhas loucuras no Curso Normal do Instituto de Educação Marista Graças, em Viamão. Ele era meu professor de Ensino Religioso, Filosofia, Doutrina Social da Igreja e História da Educação e, sobretudo, Mestre da Arte de Viver. Sabe aquele professor inesquecível? Este é o Irmão Firmino: exigente na medida certa (mesmo que a medida certa não agradasse a todos), extremamente inteligente, afetivo, justo e criativo. O Firmino não deixava ninguém em paz! Quando concluíamos uma tarefa, vinha ele e dizia: "Poderia ter algo a mais!", ou, ainda "Vocês podem fazer diferente! Vocês não precisam fazer como todo mundo faz!" E o que é ter ética hoje, senão isso: fazer algo a mais, fazer diferença, não fazer o que todos fazem só porque todos fazem? É por isso que, lendo o texto, posso dizer que cada palavra é verdadeira, pois o Irmão Firmino é o tipo de pessoa que vive e faz o que diz (e, apesar de ser muito hábil com palavras, faz mais do que diz), tanto que este não é o primeiro texto dele que encontro na Zero Hora: como diretor do Rosário, ele está preocupando em fazer seu papel na cidade em que vive, ou seja educar a todos quanto puder, lançando mão de todos os meios possíveis. Dá-lhe, Firmino!!! Este teu ex-aluno, da Turma do Bicentenário de nascimento de São Marcelino Champagnat está orgulhoso de ti e com saudades!

Força sempre!

Eis o texto na íntegra:

Ética, valor para a vida inteira
FIRMINO BIAZUS/ Diretor do Colégio Marista Rosário

Para justificar a realidade de nossa época, dizemos que há uma crise de valores da qual somos ao mesmo tempo atores e vítimas. Vivemos momentos de grandes paradoxos: ao mesmo tempo em que a tecnologia facilita a comunicação até hoje inimaginável, desenvolve um individualismo arrogante e egoísta e implanta a globalização de mercado em detrimento do ser humano, das relações sociais, e da natureza.
Como a globalização está relativizando tudo, sistemas, instituições e valores, a pessoa perdeu os pontos de referência e, para se proteger, fecha-se em si mesma e passa a não mais saber o que é permanente e o que pode e deve mudar na vida das pessoas, das instituições e da sociedade. Nesse ambiente está a escola tentando formar cidadãos responsáveis e profissionais éticos e competentes.
Como então apresentar valores permanentes a um jovem, se vivemos num clima de relativismo? Que valores devem ser apontados para que sejam aceitos e possam servir de balizamento para a vida? Cada pergunta é um mergulho ainda mais fundo na crise da qual muitos são vítimas pelos efeitos que produz em muitas mentes, favorecendo sempre mais a necessidade de psicólogos e psiquiatras. E como o problema não é de psicólogo nem de psiquiatra, mas de valores, a pessoa, para manter uma certa tranqüilidade, se locupleta de tranqüilizantes e de antidepressivos.
Tudo isso é fruto de uma grave crise de valores, uma crise de ética que invade a opinião pública e as pessoas vão tomando consciência apenas na medida em que vão sofrendo as conseqüências desta falta que muitas vezes desemboca na corrupção e na depressão.
Hoje, quer-se fazer acreditar que os valores e os princípios éticos de diversas etnias, culturas e civilizações não mais podem conduzir a uma ética de princípios universalmente aceitos. Nasce daí o individualismo exacerbado, que busca exclusivamente a satisfação das necessidades pessoais e prima pela valorização do provisório e do descartável, corrói a solidariedade entre as pessoas e os grupos sociais a ponto de a opinião do mais forte prevalecer sobre a dignidade humana e o valor da vida.
A ética dá significado às relações de cada homem e de todos os homens e ao seu modo de agir; e, por meio da integração e partilha de valores, visa à realização e ao crescimento da pessoa e das instituições. Se o transcendente e a filosofia não impregnarem a vida das pessoas, das instituições e da sociedade, os valores continuarão debaixo das cinzas e a ética ficará sufocada pelas nulidades e pela corrupção.
É preciso voltar a ver o outro como valor máximo; é preciso voltar a ver Deus como fonte de todos os valores, é preciso voltar a reverenciar o mundo como criação-mensagem e não só apreciá-lo como objeto de saber e de poder humanos e promover uma economia, não do consumismo, mas do suficiente centrada na vida da pessoa e voltada para o cuidado com a natureza. Volte a ética a ser a medida justa de todas as nossas relações com os outros, com o transcendente e com a ecologia. Seja a ética o caminho pelo qual avançamos como seres totalmente humanos reconhecendo os valores intrínsecos de todos os seres.


Sexta-feira, Julho 16, 2004

Ser Humano e Transcendente

Para se falar de Ensino Religioso, necessariamente é preciso passar pelo transcendente, ou seja, nossa capacidade de ir além de nossos limites. O Transcendente é uma dimensão humana, presente em nós pelo simples fato de sermos pessoas. É essa dimensão que nos possibilita atribuir significados e construir símbolos, mas, sobretudo, é por ela que buscamos e damos respostas para o nosso "não-ser": a morte.
O Transcendente é intrínseco e interno em nós e, ao se manifestar, ganha as formas e as cores de nossa individualidade, de nossa cultura e de nosso momento histórico. Assim, no campo religioso, o Transcendente manifestado recebe o nome de Fé. Através da Fé, afirmamos em nosso meio aquilo que é mais central em nossa vida: a percepção de seu sentido. A Fé, porém, pode ser vivida coletivamente (minha forma de crer pode encontrar pontos em comum com a forma de crer do outro) e, quando isto acontece, ela pode ser chamada de Religião.
Nos próximos posts, falarei sobre as "repostas" para a morte encontradas na experiência histórica da humanidade: a reencarnação, a ressurreição, o ancestralismo e o nada.

Quinta-feira, Julho 15, 2004

Cuidando da Vida

Estou muito feliz, pois uma grande amiga nossa colocou seu blog na rede! A Irmã Janete Cardoso, religiosa das Irmãs Escolares de Nossa Senhora, Mestra em Educação, acaba de lançar o Cuidando da Vida, seu Blog sobre educação e cuidado (que foi sua tese de Mestrado). Passem lá, leiam e comentem!
O endereço é http://cuidandodavida.blogspot.com (estou colocando assim pois a página em que escrevo os posts está entrando errada e não consigo linkar).

Força sempre!

Quarta-feira, Julho 14, 2004

Onde Deus me quer?

Eu e a Carine recebemos uma mensagem muito legal da 'Ceição (minha sogra), ontem à noite. Chama-se "Onde Deus me quer" e trata-se de uma apresentação de Power Point com imagens dos atentados de 11 de setembro de 2001 (por incrível que pareça, muito bonitas!) e um texto, relatando casos de pessoas que salvaram suas vidas naquele dia por um mínimo detalhe, que as impediu de estarem no WTC nos momentos fatídicos do atentado. Na mensagem, o autor coloca isso como ação e graça de Deus e eu, como cristão, consigo compreender isto. O que não me sai da cabeça, porém, é que Deus não teve nada a ver com aquela carnificina: foi mais uma burrice com nossa marca registrada de seres humanos! Novamente, como cristão, penso que, na verdade, nós dificultamos muito as coisas para Deus: creio que Ele nos fez com a capacidade de cuidarmos com amor uns dos outros e que, a todo instante parecemos querer provar exatamente o contrário!
Volto à questão inicial: onde Deus me quer? Não tenho resposta, mas se a leitura deste post ajudar alguém em alguma coisa, talvez eu esteja no lugar certo.
Quer ver a mensagem? Deixa teu comentário e anexa teu e-mail (junto ao teu nome) que eu te envio.

Força sempre!

Terça-feira, Julho 13, 2004

Oração da Serenidade

Todo mundo conhece esta oração! Não sei direito quem é o autor, mas sei que ela é muito utilizada em grupos de auto-ajuda, como o Alcoólicos Anônimos. O mais legal dela, além da beleza do texto, é que pessoas de diferentes credos (e até os que se confessam céticos, agnósticos ou ateus) pronunciam suas palavras, em busca da serenidade necessária para viver. Lá vai:

"Concedei-me, Senhor,
a Serenidade necessária
para aceitar as coisas
que não posso modificar.
Coragem para modificar
aquelas que posso
e Sabedoria para
distingüir umas das outras."

Meus alunos da Segunda Série, estes dias criaram gestos para esta oração, incluindo aí uma introdução, conforme está escrito na agenda do Colégio:

"Eu coloco minha mão na sua,
uno meu coração ao seu
para, juntos, podermos fazer aquilo
que sozinho não consigo."

Estou postando esta oração aqui após ler o texto da Fátima Nascimento, no Blog Verbo Solto.

Boneco de Jesus

Outra coisa interessante que encontrei no Blog do Nonato foi o lançamento de um boneco de Jesus (uma Action Figure, tipo Homem Aranha): o brinquedo é articulado, anda, fala e cita os Dez Mandamentos. Me lembrou o filme Dogma, de Kevin Smith, onde uma Paróquia faz uma estátua do "Cool Jesus": uma imagem sorridente do Messias, fazendo sinal de positivo. Isso não é nada: lembram do ursinho que rezava o Pai-Nosso, lançado pelo Padre Marcelo? Estes dias ainda vi um na "DiBrinquedo", em promoção. O mais legal é ver os vendedores se virando para vender a peça: "olha só, além de ser fofinho ele também reza o Pai-Nosso!"

O Santo Errado

Lembrei de uma outra coisa, falando do boneco de Jesus: no verão passado eu e minha esposa fomos à loja Elite do Iguatemi (Porto Alegre) procurar um vestido. Olhando as roupas e batendo um papo com os vendedores e vendedoras (uma galera muito legal!), a Carine se interessou por um vestido super customizado, que tinha uma medalhinha de Santo costurada nele. Diante do interesse na peça (nem um pouco barata), a vendedora foi logo dando algumas explicações. Disse ela: "Este vestido é uma peça única e foi feito para passar o Réveillon e, por isto, tem esta medalhinha de Santo Antônio, para dar sorte no amor!" Ao ouvir isto, olhei com mais atenção para a medalha (minúscula) e percebi que quem estava retratado ali era, na verdade, São Cristóvão, padroeiro dos motoristas. Surpresa, a atendente perguntou: "Mas qual é a diferença? Este também está segurando uma criança e usando um vestido!" Tive que puxar algumas explicações teológicas para diferenciar os dois Santos para ela (e para as pessoas que se juntaram ao nosso redor, pois o lugar é pequeno e todos ouviram a conversa). No final, ela ficou com cara de "E agora, como eu vendo este vestido?" Sugeri, como solução, que ela usasse a mística de São Cristóvão "Siga seu caminho em Paz e a Salvo". Ela gostou, mas nós não levamos o vestido (por causa do preço exorbitante).

Boneco de Jesus II

Não posso deixar de dizer que já tive uma idéia parecida, com outras finalidades: pensei em criar fantoches de personalidades importantes do "Universo Religioso" para trabalhar com meus alunos. Na verdade, como sei desenhar razoavelmente bem, acabei criando umas figuras com papel e contact e outras em E.V.A., imitando líderes religiosos como Maomé, Sidarta, Moisés e Jesus. A idéia da Action Figure de Jesus não é de todo ruim, o problema é a superficialização de uma figura tão importante nos meios sagrados. A propósito, os fantoches funcionam muito bem...

Cemitério para Bichos de Estimação

Olha só o que eu encontrei no Antena Paranóica:em algum lugar do Brasil, lançaram um cemitério para animais, onde o bicho tem direito a carro fúnebre e jazigo perpétuo, por preços que variam entre R$ 140,OO e R$600,00. Pior que li em uma Zero Hora desta semana que a idéia está vindo para Porto Alegre. Quando eu era criança, enterrei vários de meus animais de estimação (que morreram, claro...) no pátio de minha casa. Quem já perdeu um ente querido sabe quanto custam os serviços funerários. Meio absurdo, não? Já ouço, ao fundo, os Ramones cantando "I don't want to be buried in a Pet Sematary / I don't want to live my life again." (Eu não quero ser enterrado em um cemitério de bichinhos de estimação/ eu não quero viver minha vida de novo.)